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segunda-feira, 2 de outubro de 2023

A importância das reedições

No atual mercado editorial de banda desenhada, uma das estratégias adotadas por algumas editoras é a reedição de materiais. No entanto, já me deparei com comentários do género "Isto já não saiu por cá?" ou "Outra vez arroz?". Por esta razão, neste artigo vou abordar a questão das reedições, o porquê de serem importantes para o mercado e o excelente trabalho e atenção que algumas editoras portuguesas estão a fazer nesse sentido.



Para começo de conversa, a reedição trata-se do lançamento de um álbum anteriormente editado e que, normalmente, surge com alterações e acréscimo de conteúdo. Partindo deste princípio, as reedições são positivas pois acrescentam conteúdo aos álbuns. Um caso específico desta situação é a reedição do álbum Batman: Asilo Arkham, editado no selo Black Label da editora Levoir, que acrescenta 33 páginas de conteúdo extra, relativamente à edição do mesmo álbum lançada na Coleção Batman 75 Anos. Além disso, quando comparamos as 3 versões do álbum publicadas em Portugal, verificam-se diferenças nos aspetos de acabamento dos álbuns. A primeira edição, editada pela editora Devir, recebeu acabamento em capa brochada e papel brilhante. Por sua vez, a segunda edição foi publicada em capa dura mas com papel baço. Finalmente a terceira edição apresenta igualmente capa dura e papel brilhante, além de ter uma ilustração de capa diferente das anteriores edições. Deste modo, em muitos casos a reedição de materiais permite que os mesmos materiais sejam reapresentados aos leitores com o melhor acabamento possível.



Outro aspeto interessante das reedições são os lançamentos de edições integrais. Num caso bastante semelhante ao exemplo anterior, o álbum Batman: O Regresso do Cavaleiro das Trevas também recebeu uma edição pela Devir e duas pela Levoir. No entanto, tanto na primeira edição, como na segunda, a obra foi publicada em dois volumes, recebendo finalmente uma edição integral na terceira edição. Outro belo exemplo de uma reedição integral é o livro As Aventuras Completas de Dog Mendonça e Pizzaboy publicado pela Companhia das Letras. Referi estes exemplos a título exemplificativo, no entanto existem muitos mais casos semelhantes.



Apesar de todos os aspetos anteriores serem, na minha opinião, pontos bastante positivos das reedições, o ponto fundamental para justificar a existência das mesmas é a possibilidade dos leitores puderem comprar materiais que já foram publicados, mas que durante muito tempo não estavam disponíveis no mercado. Voltando ao exemplo inicial e partilhando a minha experiência pessoal, na altura em que comecei a ler banda desenhada, no ano de 2016, o álbum citado não estava disponível para compra em livrarias e lojas online. O álbum tinha sido reeditado em 2015 na Coleção Batman 75 Anos, no entanto quando tentei adquirir o mesmo não o encontrava. Desse modo, recorri ao mercado de usados e consegui uma cópia do mesmo, no entanto julgo que nem todos os leitores têm a disponibilidade para recorrer a estas vias, nomeadamente os leitores mais casuais. Desse modo foi de bom grado que vi a editora Levoir a disponibilizar novamente este excelente álbum aos leitores portugueses. Percebo que, dado o pequeno mercado que temos, alguns dos leitores mais antigos preferissem a edição de material inédito, no entanto acho que os mesmos devem compreender que este tipo de iniciativas são benéficas para a criação de novos leitores. Além disso, quantos mais volumes em português estiverem disponíveis, menos probabilidade existirá dos leitores recorrerem a edições estrangeiras, apoiando, assim, o mercado nacional.



Outros aspetos interessantes das reedições são as "atualizações da obra". Com isto quero referir casos como Batman: Piada Mortal que, na versão da Devir contém as cores originais de John Higgins e que, nas reedições pela Levoir apresenta as cores de Brian Bolland. Outro caso de "atualização" é a reedição da adaptação do Hobbit para banda desenhada que, na segunda edição, utilizou novas digitalizações das aguarelas. Por outro lado, as reedições permitem corrigir erros de tradução, seguir uma tradução nova e aplicar novos tipos de legendagem, balonagem e fonte para as letras.

 


Finalmente, o último ponto e o que acho mais pertinente nas reedições é o facto de, em muitos casos, as mesmas acompanharem a "recuperação" de séries abandonadas ou inacabadas. Neste sentido tenho de referir os exemplos das reedições de álbuns de séries como Armazém Central e Sambre, reeditados pela Arte de Autor, O Mercenário e O Corvo, reeditados pela Ala dos Livros e Peter Pan, reeditados pela ASA. Nestes casos, as editoras, além de publicarem os volumes inéditos no mercado nacional reeditam também os volumes anteriormente publicados por outra editora. Deste modo, conseguem publicar todos os volumes com um acabamento melhor e tornando a coleção uniforme no seu formato.



Numa nota final é de louvar o trabalho das editoras portuguesas no âmbito de voltarem a disponibilizar álbuns anteriormente editados e que se encontram esgotados, fazendo o mesmo com um excelente acabamento nas suas edições. Não obstante, gostaria de ver mais materiais reeditados no nosso mercado. Podem ver algumas dessas histórias neste post.



Mas digam nos comentários o que acham sobre este tópico e refiram também os álbuns que gostariam de ver reeditados no nosso país.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Lançamento Ala dos Livros - O Corvo VI: O Silêncio dos Indecentes

A editora Ala dos Livros anuncia o lançamento do sexto volume da série O Corvo. Com argumento e ilustrações de Luís Louro, O Corvo VI: O Silêncio dos Indecentes é o mais recente lançamento da editora Ala dos Livros.


Segue a sinopse disponibilizada pela editora:

"O Corvo é o super-herói, o alter-ego de Vicente. Tímido e inseguro, Vicente desconhece a existência do CORVO e procura a ajuda da bela psicóloga para resolver os seus traumas.

Velhos inimigos querem destruir o nosso herói, mas a maior batalha é travada no seu interior e ameaça a sua própria existência! Será o CORVO capaz de manter a sua identidade? E qual é o papel de Vicente? Quem vai salvar o CORVO das implacáveis freiras do Convento e dos planos maquiavélicos do Chefes?

Entretanto, o nosso herói terá de continuar a lutar pela justiça (e se possível passando perto das janelas da atraente “mulher do capitão”…) sem esquecer que até os ratos voadores podem assumir as mais estranhas formas, e terá de recorrer às mais modernas armas (vá... “coisas”) do seu corvo-arsenal para enfrentar novas e terríveis criaturas. Mas há mais re(ve)lações do passado que vão surgir.

E o nosso herói será confrontado com a necessidade de fazer escolhas: a direita ou a esquerda?
O Silêncio dos Indecentes, é o 6º álbum da série O CORVO, o herói criado pelo autor em 1993. O universo de Luís Louro continua em crescer com novas histórias e personagens. Neste álbum ficamos a conhecer cada vez melhor as origens, os traumas e os desejos das personagens, numa aventura em que o humor se mistura com os dramas da existência do alter-ego de Vicente. Luís Louro promete supreender todos os seus fãs com esta história...".


O Corvo VI: O Silêncio dos Indecentes
Autores: Luís Louro
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa cartonada
Formato: 23,50 x 31,00 cm
ISBN: 978-989-9108-26-4
PVP: 17,75 €


Gostam da série?
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sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Lançamento Ala dos Livros - Uma Estrela de Algodão Preto

A editora Ala dos Livros anuncia a publicação do livro Uma Estrela de Algodão Preto que conta com argumento de Yves Sente e ilustrações de Steve Cuzor.



Segue a sinopse disponibilizada pela editora:

“ «Dizia muitas vezes ao Justin e ao Tommy que eles eram como duas estrelas na minha vida.
Quando me sentia desanimada, olhava para eles. E juro-lhe, Mrs Betsy, que mesmo pretas, elas brilhavam…»

Filadélfia, 1776.
George Washington encomenda a Betsy Ross a primeira bandeira dos futuros Estados Unidos da América. A sua criada, Angela Brown, adiciona-lhe secretamente uma homenagem à comunidade negra: uma estrela de cinco pontas de algodão preto, por baixo de uma das estrelas brancas.

Douvres, 1944.
O soldado Lincoln recebe uma carta contendo as memórias de Angela Brown. A estrela que ela menciona existirá realmente? A História deverá ser reescrita à luz desta revelação? Da Paris libertada às Ardenas cobertas de neve, inicia-se para três soldados afro-americanos um perigoso périplo com um desfecho inesperado.

Em sintonia com a pujança gráfica de Steve Cuzor, o forte argumento de Yves Sente utiliza os clichês de guerra para melhor destacar os desequilíbrios de um mundo cego por ideologias muito sombrias.

Uma Estrela de Algodão Preto é uma história com ressonâncias estranhamente actuais.".


Uma Estrela de Algodão Preto
Autores: Yves Sente e Steve Cuzor
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 192, a cores
Encadernação: Capa Cartonada
Formato: 23,50 x 31,00 cm
ISBN: 978-989-9108-33-2
PVP: 35,00€


Estão ansiosos por este lançamento?

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Leituras - julho de 2023

Tal como tenho feito todos os meses desde maio, aqui apresento as minhas leituras do mês de julho de 2023. Para além de livros que recebi das editoras, também irei falar sobre livros que estavam na pilha de leitura e também de alguns volumes de coleções que estou a acompanhar. Irei falar de todos os volumes presentes na seguinte foto exceto dos livros Frankenstein de Mary Shelley em que escrevi uma análise e O Corvo III - Laços de Família no qual também já escrevi num post dedicado a toda a série.


As muitas mortes de Laila Starr

Para começar este post relativamente às leituras do mês de julho, escolhi o livro As Muitas Mortes de Laila Starr com argumento de Ram V e ilustrações de Filipe Andrade. Esta obra que esteve nomeada para 4 prémios Eisners recebeu edição nacional pela mão da G Floy Studio Portugal e reúne os materiais originalmente publicados em The Many Deaths of Laila Starr #1-5 pela Boom! Studios.


Aqui Ram V e Filipe Andrade criam uma história em que o avatar da Morte é enviado para a Terra uma vez que a Humanidade está perto de descobrir o segredo para atingir a imortalidade. A morte irá então encarnar o corpo de Laila Starr, uma jovem mortal que vive em Bombaim. No entanto, dado que Laila está inconformada com a sua nova dimensão mortal, esta arranja forma de descer à Terra no momento em que o homem que irá descobrir a imortalidade nasce. Assim, Laila decide que irá acabar com a vida do bebé de modo a assegurar o seu trabalho e voltar a ser imortal. No entanto, na tentativa de matar o bebé, as coisas não correm assim tão bem e Laila acaba por morrer.



A história é desenvolvida ao longo de 5 capítulos em que Laila irá ter vários encontros com o homem que procura. No entanto, como a mesma morre nos vários episódios em que encontra este misterioso homem (daí o nome da obra), a mesma encontra-o em diferentes fases da vida, isto porque Laila não volta imediatamente à Terra após cada uma das suas mortes. Não há muito mais a dizer sobre o argumento, até porque o interessante deste volume é perceber como ambos os personagens mudam ao longo do desenrolar do mesmo. Mesmo assim, é incrível a qualidade dos diálogos de Ram V e a forma como este consegue acordar um tema tão forte como a mortalidade e limitação humana de uma forma tão inventiva e reflexiva ao mesmo tempo.



Mas talvez um dos maiores pontos de interesse para os leitores portugueses, sem descurar o excelente trabalho do argumentista, são as ilustrações de Filipe Andrade. Aqui o artista português concede um estilo muito próprio à obra aplicando um traço leve e fluído, o que ajuda a trazer alguma leveza ao tema abordado na história. Além disso, a paleta de cores é intensa e reflete perfeitamente a zona em que a narrativa de passa. Deste modo, tanto as cores como o traço criam um estilo que casa perfeitamente com a história e que, na minha opinião, é um dos melhores trabalhos gráficos publicados este ano no nosso mercado.



A edição da G Floy Studio Portugal é em capa dura, com boa encadernação e papel brilhante que realça o belíssimo trabalho de cores de Inês Amaro. Além disso apresenta uma extenso caderno de extras sobre a conceção da obra. Uma edição a não perder.

Poderão ver mais imagens deste álbum aqui: https://www.instagram.com/p/CuEfEGMMVVM/



As muitas mortes de Laila Starr
é um livro com uma construção cíclica e que aborda de forma brilhante a vida e a morte. É um livro divertido e com uma arte belíssima que certamente deixará os leitores reflexivos mas com a certeza de que existe um lado bonito na própria mortalidade do ser humano. Sem dúvida um dos melhores do ano.


Meadowlark

Igualmente do catálogo da G Floy Studio Portugal, este mês li Meadowlark com argumento de Ethan Hawke e ilustrações de Greg Ruth. Relembro que esta é a dupla responsável pela obra Indeh, também presente no catálogo da editora.



Nesta história acompanhamos Jack "Meadowlark" Johnson e Cooper, o seu filho numa aventura que se passa na cidade de Huntsville no Texas. Meadowlark é um polícia e ex-combatente de boxe que se divorciou da mãe de Coop e que vive atormentado pelos erros do seu passado. Por sua vez, Coop é apresentado com um jovem na transição entre a adolescência e a vida adulta e que não sabe exatamente o que fazer da sua vida. Tal como a capa do álbum sugere, esta história trata-se de "um policial de autodescoberta", tanto para Jack mas principalmente para Coop, que é retratado na capa do mesmo.


Aqui temos uma história ao estilo crime noir e que se desencadeia após uma fuga na prisão onde Jack trabalha. Essa fuga acontece no momento em que Coop está nas instalações da mesma com o seu pai e ambos partem em busca dos criminosos. No entanto, existe uma relação entre o passado de Jack e os mesmos e que irá desencadear ainda mais a trama.



A apresentação dos personagens é boa, principalmente a relação entre Coop e os seus pais, bem como o companheiro da sua mãe. Por sua vez, é durante o desenvolvimento da história que Ethan Hawke explora a complicada relação entre pai e filho. Esta dinâmica é bastante interessante e complexa dado que, apesar de ser agressiva e disfuncional existe também uma vertente carinhosa na sua relação. Além disso, os erros e fantasmas do passado de Meadowlark voltam para o assombrar e este tem finalmente de os enfrentar e combater para finalmente conseguir ter o seu arco de redenção. Por sua vez, a jornada de Coop leva-o na tal jornada de autodescoberta anteriormente referida.



Greg Ruth tem um traço leve conseguindo equilibrar bem o uso de pincel e lápis ou caneta no seu traço. Deste modo as suas ilustrações conseguem equilibrar muito bem uma cidade pacata e calma com a extrema violência presente nas cenas de ação. Além disso, essa leveza dos backgrounds ajuda a que prenda a atenção nos personagens sem que o espaço em que eles se encontram pareça vazio. Até porque o grande foco aqui são os personagens e a expressividade dos mesmos é estonteante. Outro ponto que gostei bastante é o tom sépia que marca quase todo o livro (excepto nos flashbacks dos tempos de combate de Jack e do tempo em que os pais de Coop estavam juntos que são apresentados em tom de azul) e que confere um ar vintage a esta história.



A edição da G Floy Studio Portugal é em capa dura, com boa encadernação e papel mate que combina com as cores aplicadas na ilustração. Apesar disso, não se trata de uma edição rica em extras até porque tem apenas breves biografias dos seus autores. Não obstante, é uma edição muito bom.



Meadowlark é um daqueles livros do catálogo da editora que altamente recomendo. A história de Hawke é simples mas apresenta personagens complexos e com jornadas interessantes e plausíveis e Ruth conduz a história com a sua arte fantástica e que eleva o argumento apresentado. Uma graphic novel muito bem conseguida e que devem ler.

Poderão ver mais imagens deste álbum aqui: https://www.instagram.com/p/CujRc2WMDxU/


Deixa-me Entrar

Tal como no mês passado, este mês também li uma obra da autoria de Joana Afonso. No entanto, na obra O Baile a artista estava responsável apenas pelas ilustrações. Aqui, por outro lado, temos a estreia de Joana como artista a solo. Deixa-me Entrar foi originalmente publicado em novembro de 2014 pela editora Polvo.


Neste livro é apresentada uma história mais simples do que no álbum O Baile, no entanto trata-se de uma história mais pessoal e profunda. Alberto é um homem na casa dos 40 mas que não tem ligações afetivas com ninguém. Este vive numa pensão em Lisboa e, na sequência de uma inundação, é convidado pela dona da pensão a instalar-se num quarto no piso superior. Assim, acompanhamos a aproximação destes dois personagens e como isso irá mudar a vida de Alberto.

À medida que o tempo vai avançando, a dona da pensão começa a incluir Alberto na rotina quotidiana e estes passam tempo juntos nas refeições noturnas que antecedem as idas para o trabalho de Alberto como condutor de carro do lixo e também nos serões a assistir televisão. É esta aproximação que leva Alberto a sentir-se estranho com toda aquela mudança.



A temática abordado por este livro é a questão da solidão e a incapacidade de algumas pessoas em superarem momentos traumáticos da sua vida. Ao longo das várias sequências apresentadas neste volume, Joana consegue transmitir perfeitamente a dificuldade que Alberto sente em sair do "poço" em que se encontra. O trauma do protagonista é representado de forma criativa através das ilustrações da artista portuguesa, no entanto o único problema que vi neste volume foi o desenvolvimento da história na sua fase final. Senti que a inclusão de mais algumas páginas poderiam ajudar a construir melhor o argumento.



Algo que tenho de referir é as ilustrações deste livro. Acredito que o estilo de Joana não seja para o gosto de todos, mas particularmente gosto das ilustrações da autora. Os cenários são bem construídos e os personagens têm carisma. Os sentimentos dos mesmos são bem transmitidos através das ilustrações e combinam com o desenvolvimento dos personagens ao longo da obra. Não posso deixar de destacar o gatinho que aparece ao longo do livro e que é muito fofinho!

A edição da editora Polvo é em capa mole com encadernação boa e papel de qualidade. Particularmente não aprecio muito a ilustração da capa, no entanto acho o título da obra excelente e que condiz com a narrativa apresentada. Infelizmente a edição não apresenta nenhum extra.



Deixa-me Entrar é um bom livro apesar dos problemas que apresenta. Mesmo assim, nota-se claramente que este é o ponto de partida de Joana Afonso na sua jornada como artista completa e que evoluiu bastante até se tornar na artista dotada que é nos dias de hoje.

Poderão ver mais imagens deste álbum aqui: https://www.instagram.com/p/CuRt0-1M4or/


Hawk

Hawk com argumento de André Oliveira, desenhos de Osvaldo Medina e cor de Inês Falcão Ferreira foi outra das leituras que realizei este mês. Este livro foi publicado pela editora Kingpin Books a 14 de fevereiro de 2014 e, tal como o volume anterior, aborda a questão do sofrimento e isolamento pessoal.



Nesta história o protagonista é Vicente, um jovem desempregado, com família ausente, um relacionamento mal resolvido e que passa os dias na casa da sua recém-falecida avó. Vicente, que decidiu não enfrentar a morte da sua avó, apercebe-se que está perto de colapsar quando o seu pai anuncia a ida para o Brasil e que deixará de lhe pagar as sessões de psicanálise. Tudo muda quando, num fim-de-semana aparentemente normal, um falcão aparece e instala-se na sua casa.



Tal como o volume anterior, o grande destaque desta obra é a temática abordada. Sem dúvida que estamos perante uma geração de artistas que trouxeram temas importantes para a banda desenhada nacional e que desenvolvem os mesmo com bastante qualidade. Uma das coisas que mais aprecio é a capacidade de André em construir diálogos plausíveis entre os seus personagens, como uma discussão relativa à política económica do país. Mas a proposta da obra é retratar o isolamento e acomodação ao sofrimento vivido pelo personagem. Neste âmbito, o argumento consegue, dado o número de páginas da obra, cumprir a sua missão. Mesmo assim, tenho a certeza que o argumentista conseguiria causar um impacto maior nos leitores se a história se estendesse por mais páginas.



Ao diversas situações que o protagonista vive são banais mas ajudam a construir e transmitir o que o mesmo sente. Tal como referi o número de páginas não permite que haja um desenvolvimento maior destes momentos, não obstante André consegue trabalhar muito bem cada um destes. A presença do falcão e a forma como este entra na vida de Vicente têm um papel fundamental na direção que o argumento assume e que gostei bastante.

Falando agora das ilustrações, tal como no caso anterior, não creio que as mesmas irão agradar alguns leitores, como é o meu caso. Com isto não estou a criticar a qualidade das ilustrações mas sim a afirmar que o estilo de ilustração de Osvaldo não é aquele que mais aprecio. Tendo isto em conta, acho que as ilustrações e principalmente a expressividade facial consegue reforçar o estado de espírito dos personagens, particularmente o protagonista. Aqui a obra é quase irrepreensível. Mesmo assim, acho que a simplicidade de alguns cenários empobrece a arte deste livro, apesar de achar que Osvaldo apresenta capacidade de mostrar bons cenários em algumas vinhetas, nomeadamente em espaços abertos. Apesar disso, é de destacar o papel das cores de Inês que consegue "melhorar" o vazio desses cenários e que concede os tons necessários ao próprio tom da história.


Poderão ver mais imagens deste álbum aqui: https://www.instagram.com/p/CuCLM78MTg8/


O Mercenário Vol. 4: O Sacrifício

Este mês li o quarto volume da série O Mercenário, escrito e ilustrado por Vicente Segrelles, que conta com o subtítulo O Sacrifício. Esta banda desenhada já tinha sido publicada, no nosso país, pela Meribérica em 1988 e foi agora reeditada pela editora Ala dos Livros.


Este volume dá sequência ao universo apresentado e desenvolvido ao longo dos 3 volumes anteriores. Neste volume o Mercenário tem de resgatar uma criança de uma seita fanática, o que irá despertar algumas memórias do passado do protagonista. Aqui temos uma história simples (como nos outros volumes) mas que dá uma leitura agradável aos leitores dados os elementos que caracterizam esta série: as criaturas fantásticas, as sequências de ação e todos os elementos técnicos que o autor tão bem domina.

Apesar disso, o facto de ser abordado, mesmo que ao de leve o passado do nosso guerreiro, torna este volume um dos melhores até ao momento. Digo isto principalmente pela capacidade do autor em criar boas cenas de ação. Mesmo que o traço seja pouco dinâmico, o argumento consegue passar a sensação de perigo constante inerente à missão de resgate. Vemos também o regresso de caras conhecidas e o desenvolvimento da história pavimenta e desenvolve ainda mais a história que o artista pretende desenvolver.



No que diz respeito à arte deste volume, aqui temos o ponto alto da série. O artista espanhol recorre a uma técnica de pintura a óleo que torna cada vinheta numa autêntica obra prima. Além disso, como a série aposta muito em sequências de ação, o artista recorre da narrativa gráfica para desenvolver essas mesmas sequências. Além disso, este tipo de ilustração concede à série uma identidade visual muito própria, sendo assim criado um universo particular repleto de criaturas fantásticas, paisagens e arquiteturas belíssimas, muita violência gráfica e mulheres majestosas. O único ponto negativo (e que de certa maneira é um pouco irónico) é a falta de dinamismo das ilustrações que afeta as sequências de ação.



A edição da Ala dos Livros é, mais uma vez, magnífica. Para além da capa dura e do papel e encadernação de excelente qualidade, a lombada apresenta uma textura diferente e que casa perfeitamente com a temática dos livros. Mas se a nível gráfico a edição é excelente, os cadernos de extras também o são. Aqui, Segrelles narra na primeira pessoa as técnicas, materiais e ideias que teve ao longo da conceção destes álbuns. Sem dúvida dos melhores cadernos de extras presentes nos lançamentos nacionais.

Poderão ver mais imagens deste álbum aqui: https://www.instagram.com/p/CupSIVKsM4z/



Mesmo com argumento simples, este volume é uma boa leitura e que recomendo. Apesar de não ser uma história com personagens e tramas complexas, a arte de Segrelles, por si só, já vale a leitura deste volume.


Leram alguns destes livros?
Quais foram as vossas leituras de julho?

terça-feira, 11 de julho de 2023

Luís Louro revela título e capa do sexto volume da série O Corvo!

O artista Luís Louro recorreu às suas redes sociais para revelar tanto o título como a capa do sexto volume da série O Corvo! Na imagem abaixo podem ver então a capa do próximo capítulo da série O Corvo que contará com o subtítulo O Silêncio dos Indecentes, num excelente trocadilho com o clássico filme O Silêncio dos Inocentes protagonizado por Jodie Foster e Anthony Hopkins e realizado por Jonathan Demme.



É de realçar que este sexto volume está programado para ser lançado pela Ala dos Livros ainda este ano no festival Amadora BD.
Link para o post original de Instagram: https://www.instagram.com/p/CuXKLuzrr5H/

O que acham da capa e do título?
Ansiosos pelo próximo capítulo da série?

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Lançamento Ala dos Livros - O Mercenário Vol 4: O Sacrifício

A editora Ala dos Livros anuncia a publicação do quarto volume da série O Mercenário de Vicente Segrelles. Com o subtítulo O Sacrifício, este trata-se do quarto álbum reeditado pela Ala dos Livros que está a continuar a publicação dos volumes inéditos da série, enquanto que reedita os nove volumes anteriormente publicados pela Meribérica.


Segue a sinopse disponibilizada pela editora:
 
"O Mercenário é um guerreiro sem passado e, se o tem, ninguém o conhece.

No entanto, o resgate de uma criança por uma seita fanática, fará com que se lhe aflorem à memória recordações da sua infância. Para salvar essa criança, terá de correr contra o tempo e de recorrer a animais descomunais e a artefactos, esses sim talvez já conhecidos. E deve fazê-lo antes que o grupo de fanáticos consuma o seu sacrifício ritual. Mas há algo que parece não se encaixar no meio de tudo isto. Quem realmente se esconde por trás deste sequestro? Nan-Tay, como sempre, deve saber a resposta.

Obra-prima da banda desenhada de fantasia, “O Mercenário” é uma série essencial que ressurge numa edição última, revista e aumentada.”




O Mercenário Vol 4: O Sacrifício
Autor: Vicente Segrelles
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa cartonada
Formato: 23,50 x 31,00 cm
ISBN:  978-989-9108-27-1
PVP: 21,90 €
 


Estão a acompanhar a série?
Vão comprar?

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Lançamento Ala dos Livros - O Mercenário Vol 11: A Queda

A editora Ala dos Livros anuncia a publicação do inédito décimo primeiro volume da série O Mercenário de Vicente Segrelles. Com o subtítulo A Queda, este trata-se do segundo álbum inédito publicado pela Ala dos Livros que continua a publicação da série iniciada pela Meribérica. Além disso, a Ala dos Livros está igualmente a reeditar os álbuns já publicados pela editora anterior numa edição revista e aumentada.


Segue a sinopse disponibilizada pela editora:
 
"Algo terrível está a acontecer no Mosteiro da Cratera: o Lama, o homem sábio de quem a ordem depende, está às portas da morte e, se isso acontecer, tudo estará perdido. Mas Ky sabe que em Geos ainda é possível encontrar o remédio que pode salvar-lhe a vida e, apesar da oposição inicial do Lama, a jovem e o Mercenário conseguem viajar de novo até ao planeta gémeo, onde irão procurá-lo. Será uma aventura trepidante, na qual lidarão com seres mitológicos, monstros, aparelhos voadores, uma cultura submarina em decadência e uma luta contra-relógio para conseguirem sair dali com vida. “A Queda” é o primeiro volume da série totalmente desenhado e pintado recorrendo ao computador.

Obra-prima da banda desenhada de fantasia, “O Mercenário” é uma série essencial que ressurge numa edição última, revista e aumentada.”


O Mercenário Vol 11: A Queda
Autor: Vicente Segrelles
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa cartonada
Formato: 23,50 x 31,00 cm
ISBN: 978-989-9108-28-8
PVP: 21,90 €


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